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Um cadáver na fechadura de Rafah 

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30.01.2026

Há um momento em que a guerra deixa de discutir o futuro e passa a discutir cadáveres. Não por morbidez, mas por método. Quando o “último corpo recuperado” se torna notícia de Estado, percebe-se que a política já não está a tentar vencer, está a tentar fechar portas, alinhar calendários, desbloquear passagens, distribuir culpa e colher legitimidade. Um corpo, afinal, pode valer mais do que um acordo. Porque um corpo dá uma certeza. E a certeza é o que falta em tudo o resto.

A recuperação dos restos mortais de Ran Gvili, levado para Gaza depois de ter sido morto a 7 de Outubro, foi apresentada como a promessa cumprida de “trazer todos para casa”. É uma frase que soa a humanidade, e é isso que a torna tão útil. O luto, quando é nacional, transforma-se numa arma retórica com validade ilimitada. Ninguém discute o dever de devolver um morto. Discute-se, sim,........

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