Da dor aos estupores
Onze minutos das oito da manhã do fatídico sábado, 7 de Outubro, Libi tentava fugir pela Rota 232, com a amiga, Adi Maizel.Uma bala, três balas, entraram no corpo de uma moça de 22 anos. Gravemente ferida, telefonou para os pais e, com cadência calma, fez saber que havia sido baleada. Esvaída em sangue disse vou morrer, ia morrer num telefonema de amor. Despediu-se de cada membro da família com uma tranquilidade pouco explicável. Pediu à mãe que parasse de gritar e que apenas a escutasse: era a melhor mãe que alguma vez uma filha poderia ter tido. Ao pai jurou que estava para vir ao mundo outro pai que seja mais amado. Mensagens de ternura imensa para a pequenina irmã Maya e para o seu irmão gémeo, Tomer. A morte colada à alma não lhe dava segundos. Seguiu os apelos desesperados dos pais que lhe pediram para fingir-se de morta. Os terroristas aproximaram-se e repararam, aquela rapariga com o abdómen aberto, queria estancar com a mão a hemorragia abdominal. As últimas palavras foram um sussurro: “Mãe, eles estão a voltar para me dar mais tiros.” Terroristas do Hamas voltavam para finalizar a matança. De seguida, os pais ouviram gritos em árabe e disparos de metralhadora à queima-roupa. A chamada telefónica gravou o fim de uma jovem cheia de luz, alegria e generosidade terminou. O epitáfio da amiga Adi nasceu nesse minuto sangrento. Metralhada ao som de risos canibais. Ambas tinham ido dançar ao Festival Nova, que grande pecado fizeram, que grande ameaça........
