30 anos de Arquitetura. O que muda e o que permanece
Texto escrito a propósito da exposição “Reflexo. 30 Anos, 30 Projetos” patente até 22 de novembro de 2026 no exterior do atelier de arquitetura S A, na Av. Infante Santo, em Lisboa. Entrada livre.
Trinta anos cabem mal numa parede. Ainda assim tentámos comprimir essa experiência à nossa porta.
Uma exposição pede-nos uma tentativa de síntese. Obriga-nos a olhar para trás e a transformar tempo em matéria visível.
Mas trinta anos de arquitetura não são apenas aquilo que conseguimos agora expor. São também o que ficou fora das fotografias: são as conversas antes do primeiro traço, os desenhos rejeitados, as dúvidas que mudaram um projeto, os lugares que continuaram a transformar-se depois de os deixarmos.
Uma empresa de arquitetura não se mede apenas pelo que produziu. Mede-se igualmente pelo modo como aprendeu a olhar.
Ao pensar nestes trinta anos de atividade do atelier, a pergunta mais imediata seria: o que fizemos? A pergunta que mais nos interessa, porém, é outra: o que mudou em nós enquanto o mundo mudava à nossa volta? E, no meio de tanta transformação, o que permanece suficientemente importante para ainda orientar o desenho?
A arquitetura mudou. Mudou muito.
Mudaram as ferramentas. Mudou o tempo do desenho, que passou do estirador, do papel vegetal e da espessura física da linha para modelos digitais capazes de concentrar uma quantidade extraordinária de informação. O edifício pode hoje ser simulado antes de existir, antecipamos consumos, produzimos imagens quase indistinguíveis da fotografia. O projeto tornou-se mais rápido, mais informado e, em muitos momentos, mais abstrato.
Mudou a escala da prática. Trabalhamos simultaneamente no detalhe e no território, em contextos locais e internacionais. Esta expansão (espelhada também na expressão geográfica do atelier) não torna o nosso trabalho mais universal. Torna-o mais exigente. Quanto mais diversas as geografias, maior a necessidade de ter........
