Duas pistas para detectar políticos desesperados
Durante longos anos em que éramos felizes mas não sabíamos, José Luís Carneiro e Mariana Leitão hibernaram numa obscuridade compatível com o seu talento político. Mas, a dada altura, por razões que permanecem misteriosas, o PS e a IL decidiram punir-se a si próprios (e punir-nos a nós) ao oferecer-lhes, numa cintilante bandeja de prata, a liderança dos respectivos partidos. Desde esse fatídico momento, José Luís Carneiro e Mariana Leitão têm-se arrastado pelo país, pelas televisões e pelas redes sociais à procura de reconhecimento (que não existe), de palmas (que não se ouvem) e de votos (que não aparecem). Imbuído de um patriótico sentido de serviço público, deixo aqui, para os mais distraídos, as duas pistas que podem ajudar qualquer eleitor a detectar um político desesperado.
Primeira pista: sabemos que estamos perante um político desesperado quando ele, ou ela, se faz filmar com “jovens”. Esta semana, José Luís Carneiro esteve a completar uma excitantíssima “Rota pelo Interior e Cooperação Transfronteiriça” e, a dada altura, decidiu gravar um vídeo durante o qual se sentava à mesa com seis “jovens”, todos acompanhados, claro, pela sua imperial. Temos de admitir que José Luís Carneiro se esforçou nesta tentativa de apelar ao voto “jovem”; mas também temos de reconhecer que fracassou espectacularmente. Esperando receber algumas reluzentes lições de sabedoria, um “jovem” de bigode perguntou-lhe: “Em 30 segundos, diga-nos três coisas que têm de mudar para um jovem poder escolher ficar no interior”. O líder do PS começou bem: “Primeiro, emprego. Segundo, salários dignos. Terceiro, habitação.”........
