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Treinar para manter a cabeça no sítio

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22.09.2026

Acabou a aula. Fim de um treino. A sala continuava quente, cheia daquele suor coletivo e a música ainda demasiado alta.

Só conseguia ouvir a minha respiração, ainda meio acelerada. Olhei à minha volta. Não conhecia ninguém. Ainda assim, sentia uma estranha conexão com aquelas pessoas. Éramos completos desconhecidos, mas depois de quase uma hora lado a lado, unidos pelo mesmo esforço, cada gota de suor parecia partilhada. Era como se, por breves instantes, ninguém estivesse completamente sozinho.

E foi durante aqueles cinco minutos finais de alongamentos que comecei a pensar no que realmente me trazia ali quase todos os dias da semana.

Já não era pela estética, ou pelo menos não só. Pensava na performance, sim, queria melhorar, claro, mas também não era isso que me fazia voltar.

Tudo parecia muito menos pesado. Parte dos meus problemas tinham ficado presos às gotas de suor deixadas na bike. Era aquela estranha clareza pós-treino, aquela euforia que me fazia sentir capaz de tudo, ou, pelo menos, que fazia com que tudo parecesse muito menos dramático dentro da minha cabeça. Era isso que me mantinha consistente.

Porque durante aqueles quarenta e cinco minutos, a minha cabeça tinha finalmente parado de fazer barulho.

E parece que não sou a única à procura desse silêncio.

Nos últimos anos, os running clubs começaram a inundar as ruas e as maratonas, antes reservadas aos mais malucos, tornaram-se uma manhã normal de domingo. Basta abrir o Instagram. A cada meia dúzia de stories, aparece uma “easy run” registada no Strava, com um pace de 4:00, ou uma selfie às seis da manhã depois de uma aula de Power Yoga (desta sou guilty). Isto já para não falar da febre do Hyrox.

À primeira vista, parece apenas mais uma tendência. Mas como é que uma geração emocionalmente cansada, constantemente online e, muitas........

© Observador