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Quem segura a câmara em Artemis III?

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30.06.2026

Quando vemos um filme, tendemos a fixar-nos nos protagonistas. Discutimos quem aparece no ecrã. Celebramos ou criticamos as escolhas de elenco. Mas raramente pensamos em quem escreveu o argumento. Em quem financiou a produção. Em quem aprovou o projeto. Ou simplesmente em quem decidiu que aquela história merecia ser contada.

Com a exploração espacial, fazemos exatamente a mesma coisa.

Há exatamente quatro semanas, foram anunciados os protagonistas da missão Artemis III: Randy Bresnik, Luca Parmitano, Frank Rubio e Andre Douglas.

O elenco estava fechado. Quatro homens.

Prevista para 2027, a missão integra o programa Artemis, com o qual a NASA pretende preparar o regresso da humanidade à Lua.

Naturalmente, as críticas foram imediatas. E as manchetes não tardaram a multiplicar-se: “Sem mulheres na Artemis III.” “NASA enfrenta críticas por anunciar uma tripulação exclusivamente masculina.” “Desilusão.” “Indignação.” “Ultraje.”

Era difícil que assim não fosse. Porque essa expectativa não surgiu do nada. Foi a própria NASA que a alimentou durante anos.

Disseram-nos que a Artemis seria diferente. Não só porque marcava o regresso da humanidade à Lua, mas porque prometia que a próxima pegada deixada na sua superfície seria também a de uma mulher. O próprio nome do programa parecia carregar essa promessa: Artemis, a contraparte feminina de Apolo,........

© Observador