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O início de uma verdadeira guerra

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08.09.2026

“Isto é essencialmente o início de uma verdadeira guerra”, foram as palavras de Sergei Lavrov depois de, no passado dia 1 de setembro, a Alemanha ter acusado formalmente a Rússia de estar por detrás de uma tentativa falhada de ataque com um drone explosivo no aeroporto de Leipzig. Foi provavelmente a ameaça mais direta feita por um porta-voz do Kremlin a um país europeu ocidental desde o início da invasão da Ucrânia. Tão significativo como as afirmações em si foi quem as proferiu. Ao contrário de outras figuras ligadas ao Kremlin, como o ex-presidente Dmitri Medvedev (conhecido pelos seus comentários inflamatórios e descabidos), Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo desde 2004, é talvez a personalidade mais institucional dentro do regime de Putin. Por isso, é difícil imaginar que estas declarações tenham sido ditas “da boca para fora”. Com toda a probabilidade, foram calculadas e propositadas, inserindo-se na estratégia de Putin de escalar o conflito, não apenas na Ucrânia, mas também em relação aos seus aliados europeus.

Esta retórica tem sido acompanhada por ataques de vários tipos: desde tentativas de destruição de fábricas ligadas à produção de drones ucranianos na Polónia e na Eslováquia, a incursões ilegais de drones no espaço aéreo da Roménia e no Báltico. Esta campanha de “zona cinzenta”, na qual Putin se tornou especialista, permite a Moscovo multiplicar os seus ataques aos países europeus da NATO, sem que, por não serem aparentemente significativos o suficiente, os mesmos sujeitem a Rússia a uma resposta conjunta e mais musculada da aliança.

Também por isso, um confronto direto entre a Rússia e a NATO permanece uma possibilidade remota. Mas o erro está precisamente em focar a análise apenas nesse cenário mais imediato e catastroficamente óbvio. O objetivo de Putin não é iniciar um confronto direto com a Europa, um confronto que, aliás, sabe que dificilmente venceria, mas antes minar a própria estrutura de alianças do Ocidente, procurando o seu desmantelamento por dentro de forma a neutralizar a força daqueles que vê como seus principais adversários sem nunca ter de os confrontar diretamente. A hibridez destes ataques torna a sua caracterização particularmente difícil, mas nem por isso a ameaça deve ser menosprezada. A Rússia está hoje a escalar de forma propositada as tensões com a Europa e a tornar-se cada vez mais arrojada nas suas iniciativas, em grande parte face à incapacidade de resposta europeia. Quem, na falta de tanques e soldados, não quiser chamar às ações da Rússia guerra não é obrigado a fazê-lo. Mas deve, pelo menos, reconhecer a gravidade do momento e admitir que esta é a ameaça mais séria à integridade territorial da NATO desde o fim da União Soviética.

O medo da escalada face à Rússia pautou durante anos a política europeia. Durante décadas, a Alemanha, o mesmo país hoje vítima de um dos mais graves ataques russos, foi a maior proponente de uma postura de détente, a chamada Ostpolitik. De Willy Brandt a Angela Merkel, a tese sempre foi a de que concessões e integração económica eram a única maneira de evitar........

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