As vitórias de Trump
A sétima semana de guerra no Irão chegou sem que o horizonte para o fim das hostilidades esteja minimamente definido. Mais uma tentativa de negociações falhou, e a questão de quando e como este conflito terminará permanece em aberto. Mas há algo que o desenrolar dos acontecimentos recentes foi tornando cada vez mais claro: independentemente do quando ou do como em relação ao cessar-fogo, a guerra produziu já efeitos que dificilmente serão reversíveis, e que vão muito além do Irão, das monarquias do Golfo que sofreram danos económicos e de infraestrutura massivos, ou mesmo da região no seu conjunto. O que está verdadeiramente em causa é a ordem mundial que os Estados Unidos construíram e dominaram durante mais de oitenta anos. Trump poderá ainda alcançar aquilo a que chamará uma vitória no Irão, mas tê-la-á conquistado à custa da posição americana no mundo e à custa da ordem liberal que tornava esse poder possível. Na melhor das hipóteses, será uma vitória pírrica. Na pior, a aventura no Irão ficará na história como o momento em que os Estados Unidos se tornaram aquilo de que Trump tanto gosta de acusar os seus aliados: um tigre de papel.
Avaliar o sucesso desta intervenção é uma tarefa particularmente difícil porque Trump nunca definiu com clareza os seus objetivos, e, quando o fez, foram mudando ao longo do tempo. Inicialmente, o objetivo declarado era a mudança de regime, com Trump a afirmar que esta seria a melhor oportunidade em décadas para o povo iraniano se libertar da teocracia que o oprimiu brutalmente durante 47 anos. Mas este objetivo foi rapidamente abandonado, ou melhor, redefinido de forma a evitar admitir o fracasso. Segundo Trump, o regime mudou porque pessoas novas estão agora na liderança. A mudança de regime que procurava era, aparentemente, a transição da liderança de Khamenei para a liderança de Khamenei, o seu filho. Nem o nome do líder mudou como resultado desta guerra.
O foco foi então transferido para três objetivos mais concretos: o desmantelamento do programa nuclear iraniano, a destruição da marinha e da força aérea iranianas e o fim do financiamento à rede de proxies de Teerão. Mas também aqui é difícil concluir por uma vitória americana. O Irão mantém sua capacidade de lançamento de mísseis. A marinha e a força aérea iranianas foram efetivamente destruídas nos primeiros dias do conflito, mas se o propósito desses ataques era evitar a retaliação iraniana contra os países da região e impedir o fecho do estreito de Ormuz, então o ataque foi, no mínimo, inconsequente: o........
