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A anatomia de um recuo: como a Europa respondeu a Trump

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31.01.2026

Talvez pela primeira vez nesta segunda era Trump, vemos o presidente dos EUA aparentemente a recuar. Trump chegou a Davos com um discurso maximalista sobre a Gronelândia, perentório e sem margem para dúvidas. Chegou a dizer que precisava de controlar a Gronelândia porque ninguém defende um arrendamento como defende propriedade própria — uma observação reveladora depois de ter sido obrigado a reconhecer que o acordo celebrado em 1951 com a Dinamarca já lhe permitia fazer praticamente tudo aquilo com que justificava a sua pretensão de expansão territorial. A importância da Gronelândia, afinal, parecia ser mais psicológica que estratégica.

Contudo, Trump cedeu. Excluiu até a utilização de força militar e falou na possibilidade de se chegar a um acordo depois de uma conversa com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte. Os seus adeptos dirão que isto se insere na sua tática habitual: entrar nas negociações com uma posição maximalista para forçar concessões e, no fim, conseguir aquilo que sempre quis. É uma teoria interessante, mas esbarra contra a realidade quando aplicada à Gronelândia. Segundo o reportado, este novo acordo não muda de forma significativa a presença americana no Ártico, abrindo apenas a possibilidade de as bases americanas se tornarem território soberano americano.

Como justificar, então, este aparente recuo de Trump? Como quase tudo na política americana, a resposta parece passar pela economia.

Donald Trump tem-se revelado ao longo dos seus anos na presidência como um homem aparentemente imune aos ruídos externos e à contestação pública. A pressão mediática, os protestos, as críticas internacionais, nada disto parece afetá-lo verdadeiramente. Contudo, há uma tendência que se repete desde 2016 e que vale a pena notar: quando Wall Street ameaça um choque ou dá sinais claros de instabilidade, Trump tende a responder. E, neste caso da Gronelândia, a questão parece ter sido precisamente essa. Ao longo da semana passada, assistimos a quedas no mercado americano, não de forma catastrófica ou irreversível, mas certamente de forma significativa o suficiente para........

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