menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O Estado da Idade da Pedra 

2 1
latest

Recentemente o Ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, descreveu o sistema informático que gere o Orçamento de Estado como um “Excel dos Flintstones”. Quando tal acontece, o diagnóstico sobre o país está feito. A ferramenta revela a doença: uma economia que opera com tecnologia do século passado, incapaz de gerar a produtividade que o futuro exige.

Em 1994, o guru da estratégia Michael Porter veio a Portugal e entregou um diagnóstico que doía. A nossa competitividade, concluiu, era uma ilusão. Portugal construía a sua riqueza sobre fatores básicos e efémeros: mão-de-obra barata, recursos naturais, uma localização geográfica simpática. Faltava-lhe o núcleo duro de uma economia moderna: a diferenciação, a inovação, a sofisticação dos processos.

A sua teoria da Vantagem Competitiva expunha a nossa falha de origem. Éramos uma economia que competia por preço e não por qualidade. A nossa especialização estava em setores de bens transacionáveis de baixo valor acrescentado: o têxtil básico, o calçado sem marca, os componentes simples para indústrias estrangeiras. Era um modelo funcional, mas frágil como um castelo de cartas à espera do primeiro vento forte da globalização. O aviso de Porter foi claro: sem mudar de estratégia, ficaríamos presos num estádio de desenvolvimento intermédio e vulnerável.

Durante anos, o Estado português administrou um analgésico poderoso que adiou a dor da reforma. Através de uma estratégia de Crawling Peg, uma desvalorização programada e artificial da moeda nacional. O mecanismo era simples:........

© Observador