menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Pare, Olhe, Escute e... pense?

27 0
16.10.2026

Poderemos chamar optimismo cego ao ato de tentar procurar as nossas chaves de casa num lugar onde não as perdermos apenas por acreditarmos que ali as condições de luminosidade são melhores? Ou antes uma forma de ignorar o pessimismo e a realidade de podermos nunca mais as encontrar?

Reza a lenda que a história é mais ou menos assim:

Um homem anda às voltas à procura de alguma coisa por baixo de um candeeiro de rua. Os vizinhos perguntam-lhe “Do que está à procura?”. Ele diz “Das minhas chaves”. Todos o ajudam sem hesitar e passam muito tempo a examinar o chão em volta do candeeiro. Ao fim de algum tempo, alguém decide perguntar “Mas onde é que você perdeu as chaves?”. O homem responde “Em minha casa”. “Então porque é que está a procurá-las aqui?”. “Porque há mais luz!”.

Esta história popular sufista, cuja origem se atribui a Nasrudim, um filósofo e sábio do século XII, perseguiu-me em dois momentos distintos. A primeira vez que a li foi quando tinha cerca de 8 anos, num livro de anedotas para crianças. A última vez foi apenas há poucos dias, no livro Quando o corpo diz não, do médico e conhecido pensador Gabor Maté.

Na vida adulta, esta história popular ganha outra dimensão e Maté utiliza-a para ilustrar como nos esquecemos tantas vezes de procurar soluções em lugares que até nos podem ser hostis e........

© Observador