Sociedade
Quando se fala dos problemas de Portugal, a conversa segue quase sempre o mesmo guião: falta de produtividade, carga fiscal elevada, salários baixos, pobreza, dificuldades na habitação ou listas de espera no SNS.
Todos estes problemas são reais. Mas há um outro tipo de pobreza que cresce silenciosamente e que raramente entra no debate político: a pobreza relacional.
Vivemos numa época em que é possível comunicar instantaneamente com qualquer pessoa do mundo e, paradoxalmente, cada vez mais pessoas se sentem sozinhas. Temos mais meios de contacto do que em qualquer outro momento da História, mas menos comunidade. Mais ligações digitais, mas menos relações humanas significativas.
A pobreza relacional manifesta-se de muitas formas: no jovem que “vive” no mundo digital, no profissional que muda de cidade e não consegue criar um círculo social, no idoso que passa dias sem alguém com quem conversar, nos pais que vivem isolados da família alargada, nos cidadãos que deixaram de participar em associações, clubes,........
