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Passos Coelho e o que fazer com uma “maioria de direita”

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Eu sei: a maioria dos comentários à entrevista de Pedro Passos Coelho na SIC Notícias andou por regra à volta de saber se, e quando, o antigo primeiro-ministro poderá regressar à política ou disputar a liderança do PSD. É da natureza das coisas e da natureza do jornalismo. Mas a mim interessou-me mais outro ponto: o que fazer quando mais de 60% dos deputados se sentam, como se sentam hoje, à direita do Partido Socialista.

Sobre isso Passos Coelho lembrou que quando o PSD ganhou as eleições em 2024 “ficou claro que o país esperava uma mudança significativa”, pelo que competia ao seu partido pelo menos explorar um cenário de acordos, ou mesmo de coligações, com o Chega e a Iniciativa Liberal: “O PSD tinha obrigação de explorar essa possibilidade. Talvez não fosse fácil. Mas era importante tentá-lo”. E se os governos de coligação não são fáceis – recordou mesmo as dificuldades da coligação que fez em 2011 com o CDS –, considerou que com a actual política se dá a impressão de que ao PSD “tanto faz” negociar à esquerda com o PS ou à direita com o Chega. Para ele isso “é uma armadilha política imensa”.

Se aceitarmos este ponto de partida – e eu aceito até pela evidência dos resultados esquálidos da actual governação “pisca-pisca” –, importa perceber se os mais de 60% de deputados que se sentam à direita do PS correspondem realmente a uma “maioria de direita”, se é que ainda podemos usar esta nomenclatura.

Olhando apenas para aquilo que têm sido as nossas incidências parlamentares dir-se-ia que nem por isso. Se em alguns temas – imigração, nacionalidade, segurança, pontualmente na habitação – lá vão acontecendo votações coincidentes da AD, do Chega e da IL, noutras áreas é quase mais natural ver o Chega a alinhar com os socialistas........

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