O Ás de escadas
“Com uma forte obsessão com a divisão de classes, adoptou uma retórica de inspiração marxista da exploração e traição da classe trabalhadora, atacando fortemente o que considera ser uma burguesia podre que apelida de filhos das elites, de betos, os mais favorecidos à nascença, que associa à direita conservadora e religiosa, aos capitalistas, proprietários, senhorios e fascistas”. É deste modo que o Ministério Público se refere aos elementos do Panda e Os Caricas. Estava a brincar. Não é ao Panda e os Caricas, mas é a alguém que uma parte infantil da população acha muito fofinho. Trata-se de Nelson Vassalo, o homem que em Março atirou um cocktail Molotov a uma manifestação anti-aborto.
O MP alude ainda “a um discurso de incentivo ao ódio e à violência, por o suspeito identificar os seus adversários como uma ameaça ao modelo de sociedade que idealiza”. E fala em premeditação de um extremista que desejava causar danos graves. Vassalo, considera o MP, “agiu unicamente pela convicção político-ideológica de extrema-esquerda, visando a luta política armada violenta, através do uso do fogo, deliberada e exclusivamente contra aqueles manifestantes que odiava e que considerava que defendiam ideias opostas às suas, enquadrando-os no espectro político do que considera ser direita conservadora, capitalismo, extrema-direita ou fascismo”.
Nelson Vassalo nega esta interpretação do MP e adianta outra explicação para o sucedido. Segundo o CM, logo após o atentado, em mensagens tecladas com dedos ainda........
