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O apocalipse segundo o Sr. Juan e o Esquerda.Net

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20.04.2026

Para variar um pouco das guerras, crises, outras coisas sérias que tornam a prosa sorumbática, há que alçar de vez em quando a vista para paisagens mais bem dispostas.

Há dias aterrou-me na sopa, como um moscardo, um artigo do Esquerda.Net epicamente intitulado “A ascensão do autoritarismo reacionário global”, da autoria de um tal Miguel Urban, do Podemos (sósia do nosso moribundo BE).

É um texto que explica o mundo, tão bem como Mariana Mortágua (do alto do seu canudo na Escola de Estudos Orientais e Africanos, e agora professora e directora de doutoramento de Economia no ISCTE, pasme-se) explica a relação entre um tambor xamânico, um monte alentejano e um lenço palestiniano.

Começa com uma revelação de urgência cósmica: há uma “corrida para o fundo que marca a crise sistémica do capitalismo”.

É reconfortante saber que tudo, da rotura do dique do Mondego, à derrota do Benfica em Madrid, se deve à “crise sistémica do capitalismo” a correr para o fundo.

Lê-se depois que “o autoritarismo reaccionário se está a espalhar para além das fronteiras dos EUA”. Trata-se pois de um fenómeno novo, jamais visto nos outros continentes ou até na Venezuela e que, pelos vistos, se espalha como uma gripe aviária, transportada por algoritmos malignos.

Segue-se a tese central: as vitórias eleitorais de gente que o Podemos e o BE detesta, não são acidentes democráticos, mas o “resultado político da tentativa de estabilizar a crise estrutural do capitalismo”. Portanto se milhões de eleitores, votaram à revelia dos gostos da esquerda flotilheira, não são cidadãos, mas sintomas patológicos ou meras marionetas de uma engrenagem histórica. Se votassem na Dona Catarina Martins, ou no Sr. Fazendas, seriam “a sociedade civil........

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