Porque continuamos a perder talento feminino em tecnologia
Há um consenso preguiçoso nos corredores e nos eventos de ‘inovação’: ‘O mercado é assim’. E pronto, fica tudo justificado. Como se a tecnologia fosse um campo neutro, um laboratório esterilizado onde só contam linhas de código e ‘performance’. Na prática, para muitas mulheres, a carreira tecnológica é um tapete rolante que promete subida e entrega atrito. E, quando elas saem, chamamos isso de ‘escolha pessoal’ – o eufemismo favorito de quem não quer pagar a conta.
O problema não é falta de capacidade. É excesso de fricção. O quotidiano está cheio de microtaxas: a reunião em que a ideia é ignorada até ser repetida por um colega; a avaliação em que “confiança” pesa mais do que resultados; a promoção que exige disponibilidade infinita, como se vidas não tivessem família, saúde, limites. Some-se a isso ambientes que toleram o assédio como “brincadeira”, a desigualdade salarial tratada como “ajuste de mercado”, e a solidão de ser sempre “a única” na sala. E há ainda um detalhe tão banal quanto cruel: a gravidez –........
