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Pensei, logo pedi ao ChatGPT

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Já não sei escrever um email sem perguntar primeiro ao ChatGPT. Não porque não saiba escrever. É precisamente esse o problema.

Às vezes sei exatamente o que quero dizer. Outras vezes não sei. Mas, em vez de ficar  cinco minutos a olhar para o cursor a piscar, a escrever uma frase, apagá-la, escrever  outra e perceber finalmente o que queria dizer, abro o ChatGPT.

“Faz isto soar mais profissional.”

“Torna isto mais simpático.”

“Ajuda-me a responder a este email.”

Quase sempre bem. Então é difícil resistir.

Durante muito tempo, a tecnologia foi inventando maneiras de nos poupar trabalho. A  calculadora tirou-nos o peso de fazer contas à mão. O GPS acabou com boa parte da  aventura de nos perdermos. A máquina de lavar roupa tornou uma tarefa interminável  numa coisa que fazemos enquanto fazemos outra qualquer.

Mas o que estamos a delegar agora é diferente. Não estamos apenas a pedir a uma  máquina que faça uma tarefa. Estamos, cada vez mais, a pedir-lhe que faça a parte da  tarefa em que tínhamos de decidir o que pensamos.

E pensar dá trabalho.

É........

© Observador