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Um país que não enche três sílabas

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Há alguns anos, em plena crise económica, e com base no título do famoso romance de Cormac McCarthy, dizia-se em Portugal que este país não é para jovens. Passe o desgaste da banalização do conceito, esta ideia correspondia (e corresponde), de facto, à verdade, e recorro aqui a uma perspetiva muito pessoal: durante a crise, ainda «jovem», estive emigrado em três países europeus; agora não sou jovem, mas nunca direi ao meu filho que neste país terá garantidamente um futuro brilhante.

Contudo, o mais correto seria dizer que este país não é para quem trabalha. Esta formulação também já foi utilizada, mas gostaria de a abordar de novo. Pensemos um pouco no país que temos. Ou não temos.

— Parece impossível. Veja lá, o autocarro já devia estar aqui há vinte minutos.

— O anterior nem passou.

— Isto para quem trabalha…

(Segue-se uma série de impropérios.)

Sim, os transportes públicos são causa, mas sobretudo sintoma de uma certa portugalidade. Já lá vamos. Porque este país não é para quem trabalha.

Nos últimos anos muito se tem falado de imigrantes. Não vou entrar, neste artigo, nessa discussão, nem na distinção ontológico-económica entre imigrante e expat, mas quero falar-vos do meu amigo Lars. O Lars é um alemão de Saarland, e viveu cerca de seis anos aqui no Porto. Já não vive. Ora, o Lars, que nunca aprendeu português suficiente para se expressar minimamente na nossa língua, morava cá porque namorava com uma portuguesa, que habitava numa casa de família, o que lhe proporcionou uma residência fixa sem custos. O Lars gostava de acordar tarde, passear os cães, ir à loja de música e beber umas cervejas. Sempre que me encontrava com ele e calhava de comentar que estava assoberbado de trabalho, que isto ou aquilo funcionava mal,........

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