O grande mestre da indefinição
Há dias critiquei o historiador António Araújo por ter abordado a votação na Assembleia Geral da ONU, do passado dia 25 de Março, sem, tal como aconteceu com o governo português, se ter definido relativamente a ela. Araújo veio agora reconhecer a pertinência dessa minha crítica pois escreveu o seguinte: “em lugar nenhum do meu texto – nenhum! – afirmo se concordo ou deixo de concordar com a posição do Governo”. Mas eu fui mais longe e, para além de criticar este meu colega, desafiei-o a que nos explicasse a posição abstencionista do governo português, com a qual parecia concordar. António Araújo decidiu aceitar o desafio. Mas explicou o que se pedia? Disse concordo ou discordo, e porquê? Nada disso. Como parece ser seu hátito deu uma no cravo, outra na ferradura, e foi dizendo “nim”.
Comecemos, porém, pelo princípio, deixando de lado as insinuações e as patéticas tentativas de insulto — António Araújo achou, por exemplo (e sem o demonstrar, claro), que “mesmo nos assuntos da minha especialidade” eu sou “desinformado, para não dizer ignorante” (sic). Adiante. À semelhança de João Pedro George, que me considerou monótono, Araújo censurou-me a monocórdica limitação de só escrever sobre “escravatura, colonialismo e wokismo”. Afirmou que das 160 crónicas que escrevi no Observador — na verdade foram 157 — só duas ou três fugiram a essas temáticas: “uma sobre Israel, outra sobre a Fórmula1”. Mais disse que “escrevendo (eu) há oito anos, todas as semanas, sobre o mesmo tema, é natural que de vez em quando tenha falta de assunto. E, quando não tem assunto, João Pedro Marques inventa-o”. Por isso, por falta de assunto, terei ido implicar com ele. Mas está duplamente enganado. Em primeiro lugar, não escrevo todas as semanas; em segundo lugar, e ainda que a maioria das minhas crónicas seja sobre escravatura e wokismo, também escrevo sobre outros assuntos que escaparam à investigação do, pelo que se vê, pouco fiável historiador António Araújo. Assim, já escrevi no Observador sobre a guerra na Ucrânia, sobre a situação política interna, sobre as teorias climáticas apocalípticas, sobre o ensino da História, sobre críticas literárias manhosas ou apenas atamancadas, e sobre vários outros temas. Sobre Israel é que não tenho ideia de ter escrito qualquer artigo. O que escrevi, isso sim, foi sobre a exibição do terror........
