A grande substituição
Sim, eu sei que a expressão “grande substituição” se aplica usualmente à ideia de ultrapassagem demográfica das populações brancas, as tradicionais ocupantes da Europa, por vagas de pessoas vindas de outros continentes, gente que por via da imigração descontrolada e da subsequente alta taxa de reprodução biológica, poderá, segundo a antevisão, vir a sobrepor-se às populações que cá estão e a dominá-las. Mas eu aqui uso a expressão com outro significado, o da substituição da verdade histórica por uma narrativa pseudo-histórica que legitima as aspirações e metas políticas dos povos de outros continentes, em particular os de África.
Quando, no passado dia 25 de Março, a Assembleia Geral da ONU aprovou a aberrante proposta do Gana que caracterizou o tráfico transatlântico de escravos e a escravidão de africanos nas cidades, minas e plantações nas Américas como “o mais grave crime contra a humanidade”, e exigiu aos países ocidentais que nele se envolveram o pagamento de reparações, muita gente na Europa veio dar conta da sua oposição a essa aprovação e tentou demonstrar o mal fundado, tanto histórica como jurídica e logicamente falando, da referida proposta. Também em Portugal isso se verificou. Miguel Morgado, por exemplo, apontou com grande clareza a hipocrisia de tudo aquilo e criticou duramente a cobardia, ignorância e desorientação de uma Europa — Portugal incluído — que se absteve perante tão aberrante proposta. Eu também o fiz, primeiro preventivamente, antes da votação da proposta, e depois após a sua aprovação. Poderia ter escrito um terceiro artigo para apontar o dedo à desfaçatez da Rússia e dos países árabes, grandes traficantes e/ou utilizadores de trabalho escravo, que agora votaram a favor da exclusiva penalização da Europa, ou para apontá-lo com ainda maior veemência à hipocrisia do Gana, o patrocinador ou porta-voz desta aberração, e de outros países africanos que foram grandes actores do tráfico transatlântico de escravos, com o qual lucraram, e que agora vieram exigir ser ressarcidos, como se tivessem um passado angélico e impoluto nessa matéria. Mais. Poderia apontá-lo igualmente à falsidade ou duplicidade do governo de Angola, que após ter prometido, pela voz do seu Presidente da República, que nunca exigiria a........
