Tratar a depressão no Serviço Nacional de Saúde
Todos conhecemos a tristeza, a ansiedade e o desânimo como partes integrantes da experiência humana. Surgem, atravessam-nos muitas vezes em silêncio, por vezes desancoram-nos, mas inscrevem-se no percurso do viver e podem, por isso, fazer parte do crescimento individual e coletivo ao longo da vida.
A depressão pertence, no entanto, a outro lugar, quando aquilo que deveria ser nómada se instala, quando toma proporções desmedidas, deixa de ser resposta e passa a residir. Quando surge, entramos numa realidade distinta daquela experiência comum de tristeza. Não é “só” estar triste, é um estado permanente no tempo, pouco basculante em que se vive numa película monocromática e numa incapacidade tantas vezes indizível.
Nem todas as pessoas com depressão choram. Quantos continuam a trabalhar, a cuidar dos filhos e a sorrir em público, enquanto por dentro permanece uma dura luta que parece não ter fim. Reconhecer a própria fragilidade não é falhar ou render-se, é criar uma oportunidade para a mudança. Às vezes pergunto-me quantas vezes ouvi em consulta (ainda hoje ouvi) “achava que era forte…que estas coisas nunca me aconteceriam…”.
Nesse pedido de ajuda, sendo natural sentir apreensão e receio, abre-se a possibilidade de percorrer um caminho distinto. A depressão deve ser tratada com rigor e método, ainda que o seu curso possa ser influenciado por fatores externos. É uma doença e, ao mesmo tempo, uma experiência profundamente humana, que frequentemente se associa a alterações na forma como pensamos,........
