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As geometrias de poder

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Durante décadas habituámo-nos a pensar o poder como uma linha, a que separava o Leste do Oeste, o bloco do outro bloco, o aliado do adversário. Tranquilizadora na sua simplicidade, essa linha desapareceu. O que vemos hoje são geometrias variáveis, em que os ângulos se medem em barris, em quilowatts e em dependências, e em que as velhas alianças valem tanto quanto o papel dos comunicados que as celebram. Convém olhar para o tabuleiro sem o verniz diplomático, e é isso que aqui se propõe, uma leitura, forçosamente especulativa, de como as peças podem estar a ser dispostas.

Comecemos pelo petróleo, que continua a ser o sangue do poder. Washington pede aos governos europeus que abram as suas reservas estratégicas, apresentando-o como gesto de solidariedade e de estabilização dos mercados. Há quem veja nisso apenas prudência. Eu vejo uma aritmética elegante, esvaziar o depósito do vizinho é a forma mais económica de lhe garantir futura clientela.

Se a hipótese for lida até ao fim, o negócio fecha-se com uma simetria quase estética. Compra-se crude a Moscovo a preço de saldo, enquanto as reservas europeias se esgotam, depois, quando a Europa precisar de reabastecer, vende-se-lhe o produto, reembalado e multiplicado, a um preço dez vezes superior. O intermediário não produz, não arrisca, não sangra, cobra. É a diferença entre quem joga xadrez e quem é jogado, sem sequer se aperceber de que está sentado à........

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