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Incêndios: o mito do rastilho jornalístico

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30.05.2026

É comum ouvirmos que a cobertura mediática dos incêndios atua como um rastilho invisível. Com efeito, do balcão do café aos relatórios oficiais, não falta a alegação de que a exibição repetida de imagens de fogo acaba por criar um efeito de contágio que atrai novas ignições por parte de incendiários – os culpados de tudo isto para a perceção pública.

Será mesmo assim? Mesmo que involuntariamente, a comunicação social acaba por contribuir para mais incêndios?

Para responder preto no branco a esta questão, decidi fazer um pequeno exercício que aqui partilho convosco, acompanhado por um gráfico simples: cruzar os dados diários de notícias nacionais publicadas desde dia 1 – foram 124 notícias em cinco jornais de referência (Correio da Manhã, Público, JN, DN e… o Observador) – com os 830 incêndios registados pelo ICNF entre os dias 1 e 27 de maio.

A estatística ajuda-nos a medir a força desta ligação através do Coeficiente de Correlação de Pearson, cujos valores variam entre zero (relação nula) e um (relação perfeita). Para os leitores não familiarizados com estes termos, se as notícias provocassem o aparecimento de fogos, tal como........

© Observador