Nos 250 anos da "Nova Roma"
Os Founding Fathers da América são aquele núcleo duro que, à volta de George Washington, pensou e animou a independência e a guerra da independência contra “o rei Jorge”, dando origem a um original processo revolucionário que se concluiu na Constituição de 1787. É aí que, pela primeira vez nos tempos modernos, se legitima e concebe uma representação e delegação de governo de uma comunidade de cidadãos pela comunidade dos cidadãos.
Estes Pais Fundadores da América eram, na sua maioria, leitores e admiradores dos clássicos, entendendo aqui por clássicos os autores, gregos e sobretudo romanos, que escreveram sobre História, Filosofia e Política e reflectiram sobre o homem na sua relação com a polis e com a civitas. Os Founding Fathers conheceram-nos, leram-nos e admiraram-nos, e até se aplicaram na imitação de algumas personagens históricas ou míticas por eles encarnadas, contadas ou criadas.
Nem todos tinham o privilégio de ter uma educação superior. George Washington, por exemplo, nunca frequentou a universidade; o pai morreu tinha ele onze anos e a sua formação ficou muito a dever-se ao seu meio-irmão Lawrence, unido por casamento aos Fairfax. Os Fairfax tinham raízes aristocráticas escocesas, por ligação a Carlos I, Stuart, e possuíam grandes propriedades em Westmoreland, na Virginia. Lawrence estudou em Inglaterra e quando voltou aos Estados Unidos conheceu o meio-irmão George, catorze anos mais novo, a quem protegeu e tutelou como um pai.
Em 1743, quando Lawrence casou com Anne Fairfax, os Washington ficaram ligados aos “senhores da terra”; e o jovem George, primeiro como administrador dos domínios dos Fairfax, depois na carreira militar, foi crescendo nesse mundo.
Os “cadernos exemplares” de George Washington
George leu e copiou um manual de formação cívica e social intitulado Rules of Civilty and Decent Behaviour in Company and Conversation. Era um manual escrito por jesuítas franceses nos finais do século XVI e traduzido para Inglês, em meados do século XVII, por um tal Francis Hawkins.
Não tendo a cultura clássica dos colégios e da educação formal, George não deixou de ir fazendo dos heróis romanos os seus modelos. Ao contrário dos seus sucessores John Adams (que era um estudioso dos clássicos e um admirador do republicanismo de Cícero), Thomas Jefferson ou James Madison, o chefe militar e primeiro presidente norte-americano não sabia Latim nem Grego. Porém, tentava acompanhar de perto romanos como Catão, o Jovem, que resistira a Júlio César, ou Quinto Fábio Máximo que, na guerra contra Cartago, optara pela táctica do desgaste para cansar Aníbal, evitando o confronto directo. E, acima de todos, olhava como exemplo Cincinato, o ditador e salvador de Roma do século VI........
