A submissão da direita e a hegemonia cultural da esquerda
1 Porque razão as direitas moderada e conservadora submetem-se sistematicamente ao “circo antifascista”? Porque acabam, invariavelmente, por se ajoelhar perante a chantagem da esquerda? A chantagem de rotular como “fascistas e nazis” todos os que, à direita, pretendam unir-se à chamada direita “dura”. Nem sequer tinha passado uma hora do dia 18 de Janeiro — primeira volta das presidenciais — e já alguns políticos afirmavam ter escolhido José Seguro como candidato para a segunda volta. Todos preferiam apoiar a “moderação” contra o “extremismo”. A moderação dos socialistas — essa famosa moderação que não tem qualquer pudor em aliar-se à extrema-esquerda marxista do PCP e do BE, esquerdas extremistas e antidemocráticas, herdeiras ideológicas dos grandes “democratas” que foram Estaline, Mao Tsé-Tung, Trotsky e Pol Pot, responsáveis, em conjunto, por entre 100 e 115 milhões de mortos.
As figuras de direita têm o direito de não apoiar André Ventura. Podem não concordar com o programa económico que defende. Podem discordar do seu posicionamento em matérias como a pena de morte, a identidade ou a imigração. Podem até, simplesmente, não apreciar o seu estilo, que alguns qualificariam de “demagógico”, embora, neste último ponto, a maioria dos líderes partidários — senão todos — em Portugal também o seja. Podem não gostar dos membros do seu partido. Podem não se rever na ideologia do partido — embora, na verdade, não exista uma verdadeira coluna vertebral ideológica, o que, a meu ver, constitui uma falha grave, fruto da quase ausência de intelectuais no partido. Podem não apreciar a sua forma de debater, nem os seus cartazes, nem a cor das suas gravatas. E têm todo o direito de não querer votar nele. Têm o direito de o criticar, desde que se trate de críticas construtivas e não de meros clichés (como muitos fazem). Eu próprio critico muita coisa no Chega, sobretudo quando o comparo com outros partidos de direita radical na Europa — a qualidade não é a mesma. Todavia, era realmente necessário que todas estas figuras apoiassem o senhor José Seguro? Não poderiam simplesmente afirmar que preferiam manter o voto secreto? Custaria assim tanto dizer aos jornalistas: “O voto é secreto”?
Havia necessidade, por parte de tantas figuras das “direitas” (serão mesmo de direita?), de apoiar, com tanto alarido, um candidato socialista? Sobretudo, havia necessidade de o dizer a toda a gente, de o proclamar do alto das suas torres de marfim? É incompreensível para o cidadão comum, porque a forma como muitos o fazem é quase pornográfica: uma exibição de quão moralmente superiores se consideram face a estas pobres plebes desdentadas e incultas que “votam mal”. Esta necessidade de gritar a plenos pulmões que vão “salvar a democracia portuguesa”, votando contra “as forças do mal”. Que vão escolher o melhor candidato — os mesmos que o criticavam há uns valentes anos. Que nos vão salvar e, sobretudo, garantir a tão desejada “estabilidade”, votando no candidato que faz parte da mesma classe política portuguesa que… levou o país ao estado em que está? O candidato, membro do partido de uma conhecida figura com contas a ajustar com a justiça e gosto por excursões nas arábias? Membro do partido que levou a cabo políticas tão........
