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Backrooms, ou a fonte dos nossos terrores

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13.07.2026

O género cinemático do terror é peculiar, porque é paradoxal. Percebe-se sem dificuldade que as audiências procurem comédias, porque nos é natural procurar o conforto e o riso. Mais difícil é compreender que queiram ser perturbadas e amedrontadas, quando passam a vida a fugir da perturbação e do medo. É certo que o terror dos filmes, por maior que seja, é sempre um terror pela metade. Depois de cada susto, o espectador encontra-se intacto na sua cadeira; a quarta parede nunca se desmorona verdadeiramente e até os mais inquietantes filmes, por mais que durem, acabam sempre por terminar. Tudo isto me leva a especular que só procuramos o terror pela certeza do alívio que se seguirá; pelo conforto de saber que, ainda que por uma hora nos sintamos acossados e perdidos, estamos, na verdade e por enquanto, a salvo.

Mas haverá alguma boa razão para maçar o leitor durante um parágrafo com as minhas teorias sobre o assunto? Há, pelo menos, uma razão actual. Dois dos filmes mais populares do ano são filmes de terror: um é sobre salas vazias que se sucedem umas às outras, entre alcatifa e papel de parede amarelo; o outro é sobre um jovem que suscita um feitiço de amor por não ter coragem de convidar para sair a rapariga de quem gosta. Chamam-se, respectivamente, Backrooms e Obsession. Escolhi começar por ver o primeiro.

Backrooms é o desenvolvimento em forma de filme de um conceito surgido na internet. A cultura da internet é profícua na produção de objectos perturbadores. É natural que seja assim. Se pensarmos bem, a internet é a promessa de uma liberdade sem freio e de uma transparência completa. É como uma........

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