Sobre jornalismo
Nicolau Santos, no tempo da troica, promoveu e emprestou a sua credibilidade de jornalista veterano e director-adjunto do Expresso a um aldrabão, Artur Baptista da Silva.
O próprio Nicolau Santos reconheceu ter sido embarretado.
Desta história há duas coisas relevantes para o que pretendo escrever sobre jornalismo, não do ponto de vista de quem o faz, mas do ponto de vista de quem o consome (sou dos poucos portugueses que continuam a comprar um jornal em papel, todos os dias).
Um erro profissional desta dimensão, no jornalismo, não tem grande efeito na reputação do jornalista, visto que Nicolau Santos continuou tranquilamente a ser director-adjunto do jornal, foi depois presidente da Lusa e da RTP.
No caso dos exames deste ano, um erro profissional cuja responsabilidade política se atribui, e bem, a um político, mesmo sendo muito menos grave que o de Nicolau Santos (afectou muito mais gente, mas não é um erro de prática profissional básico), levanta um coro alargado de pessoas que juram, a pés juntos, que o ministro é imprestável para a função (para já não falar de um penálti falhado por um jogador de futebol, um frango do guarda-redes ou um erro do árbitro contra a minha equipa).
Samuel Fitussi, no seu livro “Porque se enganam os intelectuais”, refere explícita e implicitamente o caso de Jean Paul Sartre, um intelectual que toda a vida disse coisas que o tempo demonstrou serem asneiras (e já eram asneiras quando foram ditas, o tempo apenas tornou isso inquestionável), sem que isso afectasse a sua reputação de pensador.
O caso de Artur Baptista da Silva é um caso exemplar de viés de confirmação, uma característica da natureza humana que, quando não é reconhecida como ameaça à integridade do que se escreve ou diz, pode ter consequências devastadoras para a........
