Previsões e guerras partidárias
Miguel Beleza, ex-ministro das Finanças, ex-governador do Banco de Portugal e professor de economia, costumava dizer que se um economista tiver de fazer previsões o melhor é fazer muitas, em alguma acertará. Um conselho especialmente útil se as instituições que fazem previsões quiserem minimizar o risco de se transformarem em alvos dos governos, quando as suas perspetivas não coincidirem.
O ministro das Finanças Joaquim Miranda Sarmento, o PSD e o CDS resolveram transformar as projecções sobre o saldo orçamental realizadas pelo Banco de Portugal e pelo Conselho de Finanças Públicas numa ferramenta de ataque a essas instituições, tendo a intenção de chamar Mário Centeno e Nazaré Costa Cabral ao Parlamento para, imagine-se, entre outras coisas, explicarem o modelo que usaram. Seria muito interessante se, com sentido de humor, explicassem mesmo como se constrói um modelo de previsões.
Claro que no dia em que o Banco de Portugal publicou a sua projecção de um défice público de 0,1% em 2025 percebeu-se logo que se ia enganar, já que um ministro teria sempre margem para transformar esse pequeno valor num excedente, por pequeno que fosse. E Mário Centeno, tendo sido ministro das Finanças e com o que fez nas finanças públicas, teve certamente consciência disso. Mas escolheu divulgar a projeção obtida pelos exercícios realizados pelos economistas do Banco. O que para nós, como cidadãos, merece ser elogiado. Mais informação e de qualidade é sempre melhor do que menos.
O certo é que ninguém........
