Inteligência Artificial - O novo arsenal invisível
Há anos que se repete, em centenas de conferências, que a inteligência artificial (IA) vai transformar – eu considero que já transforma – o nosso modo de vida. Obviamente, também altera a forma como os estados lidam com a defesa, desde a recolha e transmissão de informação no campo de batalha, passando pelos meios e respetivas capacidades, até aos processos de tomada de decisão. No essencial, essas conclusões advêm da resposta a duas perguntas iniciais, nomeadamente se conseguimos adaptar e testar com IA os nossos sistemas e tomar decisões mais depressa do que o adversário e se controlamos o suficiente das cadeias de abastecimento que sustentam esses sistemas para que possamos ter o controlo total na sua operação, manutenção e respetiva atualização.
Desde sempre, a superioridade militar tem sido medida em capacidades concretas, designadamente: o melhor carro de combate, o caça mais veloz, a fragata mais bem equipada, o míssil de maior alcance ou o número de efetivos. A introdução da IA, no campo de batalha, altera, sem qualquer dúvida, a aritmética do Potencial Relativo de Combate (PRC) de uma força. Aquilo que separa quem ganha de quem perde deixou de ser apenas o PRC, associado a cada força, e passou a incluir um novo fator multiplicador, intrinsecamente, ligado à velocidade do ciclo de aprendizagem. Da recolha e análise de dados à adaptação dos modelos, da mobilização e formação de mão de obra qualificada ao seu envio para a linha da frente a IA está presente em todos os circuitos e sistemas.
Comparar arsenais usando a lógica dos anos 80 do século passado é querer ser o melhor jogador de xadrez num tabuleiro onde o adversário, a cada jogada, muda a forma como as peças se movem. De pouco serve dominar as aberturas quando as regras do jogo se reescrevem enquanto se joga. Vence quem reaprende e se adapta às novas regras mais depressa.
A defesa tradicional foi construída em torno de equipamentos: aviões, navios, carros de combate, satélites, sistemas de mísseis. A IA faz depender parte do PRC dos equipamentos em função do ciclo: observar, interpretar, decidir, agir, avaliar e adaptar. Atualmente, a guerra transformou-se numa competição entre ciclos de aprendizagem. No entanto, isto não significa que as........
