Da ambiguidade Bruxelloise à urgência de 2030
Existem expressões de Bruxelas, que aparecem nas conclusões dos Conselhos Europeus, as quais são repetidas, inúmeras vezes, em conferências de imprensa e regressam, sistematicamente, em estratégias, relatórios ou comunicados sem que ninguém se recorde bem do que significavam. Autonomia estratégica foi, durante boa parte dos últimos 6 anos, uma dessas expressões. Convenhamos, não é novidade que a ambiguidade no vocabulário da União costuma ser o “truque” para adiar decisões.
A recente votação, no Parlamento Europeu, que aprovou a entrada do Canadá no programa Ação de Segurança para a Europa – SAFE – vale também por confirmar que a expressão “autonomia estratégica” começa, finalmente, a representar alguma coisa real. O SAFE são 150 mil milhões de euros em empréstimos, a preços competitivos e de longo prazo, para os Estados-Membros adquirirem armamento em conjunto. O Canadá é o primeiro país de fora da Europa autorizado a participar. Em linguagem monetária, isto significa contratos, potencialmente, significativos para a indústria de defesa canadiana, simultaneamente, significa mais musculatura para a base industrial europeia, que pode deixar de depender apenas de um parceiro, tal como tem vindo a acontecer nas últimas décadas. Considerando a relevância desta questão importa explicar a sua razão.
Autonomia estratégica, despida do palavreado, é a capacidade de uma comunidade política para decidir por si própria e dispor dos meios práticos para fazer cumprir o que decide politicamente. Existe quem a interprete em linguagem, estritamente, militar, como sinónimo de capacidade europeia para se defender sem depender de Washington.........
