Suspender para avançar: o PDM de Coimbra
A suspensão parcial do PDM de Coimbra é a tentativa de densificar onde faz sentido, no centro e nos eixos de maior acessibilidade, libertando solo para espaço público e reduzindo a dependência do automóvel.
Durante as tempestades de fevereiro, o país descobriu em Ana Abrunhosa uma qualidade rara na política portuguesa: a coragem de decidir sob pressão. Perante a ameaça de uma cheia centenária, a presidente da Câmara de Coimbra não hesitou. Preparou a evacuação de milhares de pessoas, assumiu o risco político do alarme e fixou um objetivo claro: zero vítimas. Conseguiu-o. A sua gestão da crise foi elogiada transversalmente, do Presidente da República aos comentadores nacionais, porque num momento de adversidade, o que salva uma comunidade não é a ideologia; é a liderança.
Essa mesma capacidade está agora a ser testada de outra forma. Hoje, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, é apresentada publicamente a proposta de suspensão parcial do Plano Diretor Municipal de Coimbra. Não há cheias nem sirenes. Mas a decisão que está em cima da mesa pode determinar o futuro da cidade tanto ou mais do que a gestão de qualquer catástrofe. Porque gerir uma emergência é reagir ao presente; planear uma cidade é decidir o futuro. E decidir o futuro, num país que se habituou a adiar, exige uma coragem diferente, mais silenciosa, menos fotogénica, mas igualmente rara.
Comecemos pelo que é justo reconhecer. Há críticas legítimas. Quando se altera o quadro de regras de uma cidade, as pessoas têm o direito de perguntar se a previsibilidade se mantém, se o interesse público está protegido, se não se está a abrir a porta a decisões erráticas. A oposição alertou para esses riscos e fez bem em alertar, porque é exactamente esse o seu papel. Numa comunidade, a confiança constrói-se com........
