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A gramática esquecida do dever

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28.03.2026

Vivemos num tempo de opiniões fortes e de vizinhos fracos. Conhecemos os nossos direitos, ou pensamos conhecê-los, mas muitas vezes não conhecemos as pessoas da porta ao lado. Falamos com facilidade do Estado — demasiado grande, demasiado pequeno, demasiado intrusivo, demasiado ausente — e, no entanto, custa-nos dizer o que nos liga uns aos outros para lá dos números do contribuinte, dos passaportes e das etiquetas partidárias. Tornámo-nos fluentes na linguagem da queixa, mas quase analfabetos na antiga gramática do dever e do amor ao próximo.

Para Tomás de Aquino, essa perda seria difícil de compreender. Via a vida política não como um contrato entre estranhos, mas como uma comunidade perfeita, uma communitas perfecta, de pessoas que escolhem viver juntas e procurar um bem comum. A imagem que utilizava é simples: a pessoa está para a comunidade como a mão para o corpo. A mão não é absorvida nem apagada pelo corpo, mas não pode viver nem agir bem se estiver desligada dele. Do mesmo modo, o indivíduo só chega à sua plena estatura no interior de uma rede de relações reais — família, vizinhança, paróquia, cidade, nação — onde aprendemos a agir com justiça e a cuidar uns dos outros.

Esta visão antiga está muito longe da lógica que hoje domina. Reduzimos a cidadania a uma transação: eu pago; o Estado distribui;........

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