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Portugal não precisa de escolher entre um dos dois Brasis

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As eleições presidenciais brasileiras voltaram a revelar um país profundamente dividido: “dois Brasis”, como lhe tem chamado a imprensa daquele país.

Além da discussão sobre quem vencerá a segunda volta, parece-me especialmente pertinente perceber o que essa divisão pode significar para Portugal, sobretudo do ponto de vista económico.

A pergunta mais óbvia é qual dos resultados poderá trazer mais brasileiros e mais investimento para o nosso país. Talvez a pergunta esteja errada. Quando uma sociedade com 214 milhões de habitantes se organiza em torno de dois projetos políticos muito diferentes, qualquer resultado deixa uma parte significativa da população sem se rever no rumo escolhido.

Isso não significa que metade do Brasil queira sair do país, muito menos transferir o seu património para o exterior. Significa, contudo, que, para algumas famílias com capacidade financeira, aumenta o valor de uma coisa muito simples: ter opções.

É uma realidade que também temos observado nos Estados Unidos. A polarização política não provoca uma saída em massa de norte-americanos sempre que muda a Administração, mas ajuda a tornar mais presente, entre determinadas famílias, a discussão sobre questões como a residência, a fiscalidade, a educação e a diversificação geográfica do investimento.

Este último conceito parece-me particularmente relevante. Durante décadas, aprendemos que um património deve........

© Observador