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Irmandade Muçulmana: o que a votação europeia decidiu

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20.10.2026

A 8 de outubro, o Parlamento Europeu aprovou, por 381 votos a favor, 167 contra e 15 abstenções, uma resolução sobre a necessidade de uma estratégia europeia contra o «entrismo islamista» e a influência das redes da Irmandade Muçulmana. A dimensão da maioria mostra que o fenómeno deixou de ser uma questão periférica no debate europeu.

A resolução não declarou a Irmandade Muçulmana uma organização terrorista, nem tinha competência para, por si só, produzir esse efeito. Trata-se de uma resolução política, não de uma decisão de proscrição: fixa uma posição e dirige pedidos concretos às instituições e aos Estados-Membros. O desafio é determinar como devem as democracias escrutinar estas redes sem transformar influência política ou ideológica em responsabilidade criminal.

A prudência jurídica não diminui a importância da decisão. A Al-Qaeda e o Estado Islâmico estão associados a atividades terroristas que permitem recorrer aos instrumentos tradicionais de prevenção e repressão do terrorismo. A Irmandade, fundada no Egito por Hassan al-Banna em 1928, expandiu-se através de organizações nacionais, associações religiosas, estruturas sociais e redes políticas muito diferentes entre si.

Como pode uma democracia responder a uma estratégia de influência quando o objeto que procura compreender não corresponde necessariamente a uma organização centralizada, com fronteiras, comando e pertença facilmente demonstráveis?

O problema começa antes da resposta penal: começa na definição do objeto.

E essa definição não pode limitar-se à identificação de estruturas, dirigentes ou vínculos organizacionais. Exige também compreender a ideologia que lhes pode dar sentido. No pensamento de Hassan al-Banna, o Islão era concebido como um sistema abrangente, com projeção sobre a sociedade, a economia, a educação e o governo. É esta dimensão política, e não a profissão de uma fé, que interessa a uma democracia liberal quando se discute a relação........

© Observador