A República imaginária do PS
Todos os anos se celebra o 5 de Outubro e todos os anos somos expostos ao mesmo conjunto de ficções sobre o período de trevas a que alguém um dia decidiu chamar I República. Ocorre imediatamente a aquela máxima que diz que não é por uma mentira se repetir muitas vezes que se torna verdade. E ocorre bem. É preciso dizê-lo quantas vezes forem necessárias para que essas fábulas, contadas e recontadas, inscritas nos manuais de História, agarradas que estão ao senso comum, comecem, de uma vez por todas, a despegar-se das nossas cabeças.
Na Terça-feira passada, na Assembleia Municipal de Lisboa, vivemos mais um desses momentos. O Partido Socialista, que se reclama herdeiro da I República e das forças do Reviralho, cumpriu o que lhe competia e trouxe um voto de saudação ao 5 de Outubro de 1910. Pode-se imaginar o conteúdo, claro, mas a realidade ultrapassa sempre a ficção: o documento era um notável exercício de auto-engano e um conjunto de lugares-comuns que, entre outras coisas, teve a utilidade de mostrar que os tais grandes modelos de linguagem de que aquele tipo de textos brota não são, de facto, sistemas que possam inspirar grande confiança ao utilizador.
É doloroso que hoje, com tudo o que se sabe do assunto, com toda a investigação........
