“Verdinha — vende-se aqui”
No Sábado passado fui comprar os jornais. Em vez da tabacaria habitual, entrei numa daquelas lojas instaladas nas galerias comerciais dos supermercados. Afixado na porta de vidro, ao lado dos horários e dos anúncios da Santa Casa, estava o desenho de uma folha de canábis e uma informação singela: «Verdinha — vende-se aqui». Em baixo, para que nenhum turista ficasse privado do serviço, a respectiva tradução: «Sale here».
No interior do estabelecimento, ao lado das raspadinhas e de números d’O Diabo e da Revista Lux, suspensos num cabo tipo estendal, lá estava a tal “verdinha”. Vinha dentro de pacotes do tamanho da palma da mão, com desenhos e nomes apelativos que não deixavam dúvidas quanto à utilização para que o produto se destinava. Do mesmo modo que não vi nem Aspirina nem Actifed à venda, também não me passou pela cabeça que pudessem ser fármacos o que ali estava exposto. Afinal, um quiosque é um quiosque e uma farmácia é uma farmácia.
Curioso, perguntei à menina da loja se sabia do que se tratava: “Ervas aromáticas”, respondeu. Como é evidente não valia a pena continuar a conversa. Paguei os jornais, agradeci e despedi-me.
Um serão em Lisboa. Conta-me um amigo fumador que, há uns tempos, precisando de tabaco (e sem vontade de sair de casa às onze da noite), recorreu a uma aplicação para mandar vir um maço........
