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Será que os ODS já morreram?

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24.07.2026

À medida que nos aproximamos da meta de 2030, há uma questão incontornável que cada vez mais temos de colocar: se o mundo que deu origem aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – multilateralismo, consenso global  e paz –  já não existe, o que é que esta realidade significa para o futuro do desenvolvimento sustentável?

Esta discussão foi o foco do nosso mas recente (e terceiro) webinar da série de conversas What Comes After 2030?, organizadas pelo Center for Responsible Business and Leadership na Católica-Lisbon SBE. Esta conversa explorou como as crescentes tensões geopolíticas, as  mudanças de prioridade económica global, e a crescente fragmentação internacional estão a alterar, de forma profunda,  as condições para a prosperidade global. Em vez de perguntar se os ODS falharam, a discussão desafiou um pressuposto ainda mais interessante. Potencialmente não são os ODS que já morreram, mas foi, sim, o contexto em que esperavámos que fossem concretizados, que ficou completamente desajustado a uma realidade onde a prosperidade possa emergir, como mencionou Xue Ng, investigadora da Universidade Monash em Melbourne, Australia.

No mundo empresarial esta discussão traz uma mudança importante. Enquanto os dados nos mostram que os negócios incorporam cada vez mais a sustentabilidade na sua estratégia corporativa, estes usam cada vez menos a linguagem dos ODS e usam com mais frequência linguagens como o ESG, resiliência e mitigação de risco, competitividade e criação de valor. Este “silêncio ESG” não é visto apenas nos negócios, mas em várias áreas da sociedade. Organizações como a OCDE, por exemplo, estão “proibidas” de utilizar a linguagem dos ODS, ou mesmo a palavra “sustentabilidade” nos seus reportes.

Isto acontece porque os ODS são menos importantes?........

© Observador