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Um novo colunista, do lado de cá do Atlântico

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16.09.2026

Chego a esta casa pela porta que mais me honra, a de quem passa a ter um lugar à mesa todas as quartas-feiras. Durante alguns meses escrevi aqui de forma avulsa, quando a actualidade o pedia, e o Observador teve a generosidade de me abrir espaço e, agora, de me dar um dia certo. Começo por isso onde deve começar quem é bem recebido, a agradecer. Ao jornal, pela confiança. E aos leitores, que foram, mais do que qualquer editor, quem me trouxe até aqui, porque foi nos vossos comentários, nas vossas discordâncias e nas vossas perguntas que percebi que valia a pena continuar a escrever.

Convém que saibam quem vos escreve, e quem sou é uma geografia. Nasci e vivo no Rio Grande do Sul, o extremo sul do Brasil, uma terra onde neva, onde a geada queima os campos no Inverno e onde o frio, por vezes, é mais rigoroso do que o do Minho. Digo-o desde já para desfazer o equívoco mais comum, o de que um brasileiro escreve sobre Portugal com os olhos do trópico. Escrevo com os olhos de quem conhece o gelo.

E conheço Portugal por dentro, porque aí vivi quase uma década, entre 2011 e 2020. Vivi em Braga, onde me fiz doutor na Universidade do Minho, e foi lá que aprendi que o frio de que falo não é o do termómetro. Do Minho ao Porto, deixei amigos que já não trato como amigos, trato como irmãos, e que são a razão pela qual voltar a Portugal nunca é, para mim, viajar, é regressar.

Permitam-me que abra aqui uma excepção à discrição e que fale de duas pessoas em concreto, porque devo-lhes aquilo que nenhum diploma me deu. Nos Natais de 2011 e de 2012,........

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