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Há consenso em não decidir

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30.01.2026

Portugal tornou-se um país de consensos. Consensos prévios, consensos alargados, consensos responsáveis. Governar passou a ser menos escolher e mais garantir que ninguém se sente especialmente desconfortável com o resultado. Quando isso acontece, decide-se pouco — mas legisla-se muito.

O consenso ganhou estatuto moral. Decidir tornou-se um risco político. Escolher implica assumir consequências, criar vencedores e vencidos, explicar opções. O consenso, pelo contrário, oferece um abrigo confortável: prolonga o processo, dilui responsabilidades e permite anunciar equilíbrio, mesmo quando a mudança é mínima.

Perante qualquer problema, o guião repete-se. Abre-se um período de reflexão. Cria-se um grupo de trabalho. Lança-se uma auscultação pública. Promete-se uma reforma “ponderada”, “responsável” e “amplamente consensual”. No final, publica-se um diploma — geralmente apresentado como um primeiro passo, nunca como uma decisão.

A lei tornou-se o substituto preferido da escolha política.

Nas democracias maduras, a lei é o ponto de chegada. Entre nós, tornou-se muitas vezes o ponto de partida —........

© Observador