Encosta-te a mim, que em novembro devolvo-te qualquer coisa
Nas próximas semanas, muitos portugueses vão abrir um simulador para descobrir quanto poderão poupar em IRS. Uns farão contas ao salário, outros ao subsídio de Natal. Haverá quem partilhe o resultado com entusiasmo e quem conclua, como tantas vezes acontece com os benefícios fiscais, que o simulador foi feito para outra pessoa.
Em Portugal, há dois momentos em que os cidadãos se interessam verdadeiramente pela política fiscal: quando recebem uma carta das Finanças e quando alguém lhes promete que vão pagar menos.
Desta vez, há uma redução efetiva do imposto em discussão. A proposta do Governo baixa as taxas dos primeiros seis escalões aplicáveis aos rendimentos de 2026. As taxas dos escalões superiores mantêm-se, embora os contribuintes com rendimentos mais elevados também beneficiem da redução aplicada às primeiras parcelas, como acontece num imposto progressivo.
Nas simulações divulgadas, um trabalhador solteiro, sem dependentes e com um salário bruto de 1.500 euros mensais teria uma poupança adicional de 65,32 euros no imposto relativo a 2026.
Não é um valor que transforme uma vida. Também não é dinheiro sem importância para quem faz contas antes de chegar ao fim do mês. A redução é bem-vinda e merece ser reconhecida como tal. O que merece atenção é a forma como chega à vida pública.
É aqui que Encosta-te a Mim deixa de ser apenas um título de Jorge Palma e passa a descrever uma relação fiscal.
Durante o ano, o Estado e o contribuinte mantêm uma relação distante, burocrática e pouco romântica. Um retém, o outro declara. Um pede documentos, o outro tenta recordar a palavra-passe. Um conhece todos os rendimentos do outro, mas continua a exigir-lhe comprovativos. Não é propriamente uma relação baseada na confiança.
Em novembro, porém,........
