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Encosta-te a mim, que em novembro devolvo-te qualquer coisa

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01.10.2026

Nas próximas semanas, muitos portugueses vão abrir um simulador para descobrir quanto poderão poupar em IRS. Uns farão contas ao salário, outros ao subsídio de Natal. Haverá quem partilhe o resultado com entusiasmo e quem conclua, como tantas vezes acontece com os benefícios fiscais, que o simulador foi feito para outra pessoa.

Em Portugal, há dois momentos em que os cidadãos se interessam verdadeiramente pela política fiscal: quando recebem uma carta das Finanças e quando alguém lhes promete que vão pagar menos.

Desta vez, há uma redução efetiva do imposto em discussão. A proposta do Governo baixa as taxas dos primeiros seis escalões aplicáveis aos rendimentos de 2026. As taxas dos escalões superiores mantêm-se, embora os contribuintes com rendimentos mais elevados também beneficiem da redução aplicada às primeiras parcelas, como acontece num imposto progressivo.

Nas simulações divulgadas, um trabalhador solteiro, sem dependentes e com um salário bruto de 1.500 euros mensais teria uma poupança adicional de 65,32 euros no imposto relativo a 2026.

Não é um valor que transforme uma vida. Também não é dinheiro sem importância para quem faz contas antes de chegar ao fim do mês. A redução é bem-vinda e merece ser reconhecida como tal. O que merece atenção é a forma como chega à vida pública.

É aqui que Encosta-te a Mim deixa de ser apenas um título de Jorge Palma e passa a descrever uma relação fiscal.

Durante o ano, o Estado e o contribuinte mantêm uma relação distante, burocrática e pouco romântica. Um retém, o outro declara. Um pede documentos, o outro tenta recordar a palavra-passe. Um conhece todos os rendimentos do outro, mas continua a exigir-lhe comprovativos. Não é propriamente uma relação baseada na confiança.

Em novembro, porém,........

© Observador