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Um Rei, por hipótese...

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06.10.2026

1. Sou republicano. Convém dizê-lo desde o princípio, não vá alguém, chegado ao fim destas linhas, descobrir em mim uma secreta vontade de procurar um rei, uma corte e, já agora, um título qualquer perdido nas poeiras genealógicas da família. Não procuro nada disso. Acredito que o poder político deve responder perante quem o legitima, que nenhum homem nasce com mais direito a governar do que outro e q,ue a dignidade de um cargo público começa, precisamente, na possibilidade de pedir contas a quem o ocupa. Até aqui, republicanismo sem grande heresia.

A dificuldade começa agora. Nunca consegui considerar a monarquia uma simples velharia política, dessas que a história arruma numa arrecadação ao lado das liteiras, das perucas empoadas e dos decretos escritos à luz da vela. Talvez porque a filosofia nos estrague algumas certezas (sobretudo as nossas), talvez, também, porque a questão me chegou muito antes de eu alguma vez pensar nela como problema político.

A minha Avó era monárquica. Eu não. Parte da família esteve, em outros tempos, ligada à nobreza portuguesa, circunstância que não me dá inteligência, autoridade ou especial direito a coisa nenhuma. A genealogia não é um argumento. Conhecer os mortos de onde vimos pode ajudar-nos a perceber algumas coisas, mas não nos faz mais sábios do que o vizinho cujo trisavô não teve brasão, solar ou retrato de casaca pendurado sobre a lareira. Serve, quando muito, para conservar perguntas. Esta pergunta ficou.

2. Imaginemos, então, por mero exercício de pensamento, que Portugal decidia discutir uma monarquia constitucional para o século XXI. A pergunta: que monarquia? Seguramente não a saudade de uma corte desaparecida, nem o regresso a um Portugal de fidalgos, vénias e precedências, com meia dúzia de criaturas muito sérias a discutir quem se senta primeiro à mesa. Esse mundo acabou. Ainda bem que acabou. A única questão com algum interessa seria outra: poderia a Coroa desempenhar melhor........

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