Os bons e os maus ministros
Já está na mais famosa carta de Fradique Mendes: há homens que são empurrados por uma fama que ninguém percebe de onde vem, mas que se cola à pele com uma persistência inamovível.
No Eça é o Pacheco, que com uma frase bem achada nos tempos de Coimbra chegou a deputado e a Doutor da Nação; fora da caricatura, porém, nem a frase é preciso achar. Há famas que nenhuma frase infeliz, nenhuma declaração desastrada, nenhum mergulho na piscina consegue descolar. Uma dessas famas imorredouras é a de bom ministro. Um ministro já tem o seu destino traçado à partida. Quando entra, já todos os comentadores, jornalistas, colegas, adversários, sabem se ele é um bom ou mau ministro. Não se sabe quem decidiu, quais são os critérios, mas há de haver um processo qualquer: uns estagiários vasculham os currículos, os editores sublinham as universidades mais sonantes e os empregos mais pomposos, uns arúspices segredam umas intenções extraordinárias e uns profetas mandatados pelos deuses afiançam da competência do homem. A mensagem espalha-se de boca em boca, e cada língua dá mais uma lambidela para ajudar a cimentar a cola da fama.
O método parece absurdo, mas tem uma razão de ser. Uma fama antecipada tem muito mais peso num ministro do que num jogador de futebol, por exemplo, porque toda a gente percebe que há um bilião de entraves mesquinhos ou fortuitos que impedem um potencial bom ministro de o chegar a ser. Com um jogador, por muito que a fama pese, há sempre um........
