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A inteligência que esquece o planeta

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11.07.2026

Ao abrir os relatórios de sustentabilidade das maiores empresas tecnológicas do mundo, encontramos por estes dias uma confissão notável pela sua franqueza. A Microsoft reconhece que o seu esforço em inteligência artificial colide com as metas climáticas que assumiu perante o público. A Google admite que as suas emissões subiram cerca de um quarto num único ano e que a construção de infraestrutura de IA acelera mais depressa do que a rede elétrica se descarboniza. A Amazon e a Meta repetem a mesma aritmética incómoda. Gastou-se, apenas neste ano e no anterior, qualquer coisa como um bilião de dólares em novos centros de dados. E a primeira coisa que esta nova inteligência nos revela, com a objetividade fria de um balanço, é que está a consumir as condições do nosso próprio futuro.

O fogo que Prometeu não previu

Há uma ironia antiga nesta história. Demos o nome de inteligência a um artefacto que, para pensar, precisa de arder. Cada salto na nossa capacidade de saber exigiu sempre mais energia, desde a fogueira que cozeu o primeiro grão até à fornalha industrial, e a inteligência artificial não é exceção; é a sua expressão mais voraz. O mito de Prometeu, que roubou o fogo aos deuses para o entregar aos homens, esqueceu-se de contar a fatura energética do progresso. As máquinas que construímos para amplificar o engenho humano são, no fundo, fornalhas elegantes, e os seus relatórios anuais medem agora, em milhões de toneladas de dióxido de carbono, o preço do que julgávamos imaterial. Chamamos-lhe nuvem, mas pesa. Chamamos-lhe pensamento,........

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