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Grandes transições, Estado-exíguo e reforma do Estado

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09.04.2026

Terminámos o primeiro quartel do século XXI. Este é o tempo das Grandes Transições (GT) que estão a convergir muito rapidamente e a anunciar uma mudança paradigmática de longo alcance. Para que conste, este é o alinhamento das principais transições:

Transição climática, a mudança de regime para o Antropoceno,

Transição energética, a descarbonização e circularidade da economia

Transição ecológica, a mudança de regime agroambiental e agroalimentar

Transição tecno-digital, a digitalização e artificialização da economia

Transição laboral, a mudança na produtividade e composição socioprofissional

Transição demo-migratória, a recomposição da estrutura sociodemográfica

Transição sociocultural, a mudança no capital simbólico e institucional

Transição geopolítica, a formação de um mundo multipolar

Transição securitária, as guerras híbridas e a cibersegurança

Transição democrática, em trânsito para uma democracia complexa

Estas grandes transições, devido à sua arritmia geral, geram um diferencial de custos e benefícios entre economias e territórios, criam zonas de impacto e afetam seletivamente a gestão do binómio produtividade-competitividade de todas elas. Falamos de custos e benefícios de contexto macroeconómico (monetários e orçamentais), burocrático-administrativos (fiscais), certificação e validação, sustentabilidade e regulação, transação e logística, mudança de escala e de operação, os quais, em conjunto, determinam os custos e benefícios de oportunidade económica. É aqui que nos encontramos hoje, na zona de impacto de uma Nova Economia Política (NEP) e perante uma verdadeira mudança paradigmática. Esta é a razão pela qual é tão importante o investimento cognitivo e criativo que fizermos na NEP enquanto quadro interpretativo geral e instrumento de aproximação e convergência destas várias transições e seus custos-benefícios correspondentes. Vejamos, então, como uma NEP criativa responde aos desafios que decorrem destas grandes transições.

A mudança de regime climático para o Antropoceno obriga-nos a reconsiderar todas as operações de mitigação, adaptação, compensação e transformação, em resultado de uma reavaliação de risco significativo de acidentes climatéricos. A economia da prevenção e dos seguros de risco estará na primeira linha deste combate climático, para lá, obviamente, dos investimentos multirriscos e da mutualização que é necessário realizar. A NEP criativa é fundamental para desenhar estes novos serviços de interesse económico geral e os seus bens comuns respetivos.

A transição energética, a descarbonização e a circularidade, obrigam-nos a introduzir novas lógicas de interesse geral como é o caso da economia e mercados do carbono, mas, também, de energias alternativas nas cadeias de valor logísticas e industriais e, de uma maneira geral, de novas métricas de sustentabilidade e circularidade que modificam substancialmente a estrutura de custos respetiva. A NEP criativa é fundamental para desenhar estas novas métricas de sustentabilidade e circularidade.

A transição ecológica, agroambiental e agroalimentar, obriga-nos a reconsiderar as cadeias de valor alimentares na sua plenitude, de montante para jusante, desde a biodiversidade, os recursos naturais e os serviços de ecossistema até aos sistemas produtivos locais e seus produtos certificados. A NEP criativa é fundamental para desenhar este compromisso e compatibilização, minimizar a entropia e maximizar a sinergia entre sistemas naturais e sistemas produtivos locais.

A transição tecno-digital, a sua digitalização e artificialização (IA), altera substancialmente todos os processos de transformação, produção e distribuição, e obriga-nos a reconsiderar a natureza e a escala das operações das empresas envolvidas, o ritmo da sua desmaterialização, assim como, o........

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