Entre o salário mínimo e o médio, um degrau mais curto
Nas últimas semanas voltou a discutir-se, em Concertação Social, a trajetória do salário mínimo. As centrais sindicais querem mais, as confederações patronais não veem razões para mexer no acordo, e o Governo mantém os 970 euros previstos no Orçamento para 2027. É um debate legítimo e necessário, e não me passa pela cabeça pô-lo em causa. Mas tem um defeito: olha sempre para o chão da escada e quase nunca para os degraus que vêm a seguir.
O salário mínimo vale hoje perto de nove décimos do salário de quem está a meio da tabela. Há não muitos anos, a distância era bem maior. Portugal tornou-se um dos países da zona euro onde menos se separam os salários mais baixos dos mais altos. Dito assim, parece uma vitória. Em parte é.
A outra parte é o salário médio, o grande esquecido. O mínimo decide-se numa reunião e publica-se em portaria. O médio decide-se em milhares de empresas, ao ritmo da produtividade, do investimento e da qualidade da gestão. Por isso é tão mais fácil falar do primeiro. E, no entanto, o acordo de valorização........
