A desesperança do Santo António
O cinema retrata estados de alma. Das pessoas, mas acima de tudo de uma comunidade numa determinada época. Se os anos 70 foram o tempo dos anti-heróis, dos filmes negros, enigmáticos e de moral dúbia, a década de 80 foi marcada pelo optimismo e a confiança. Portugal não foge à regra (para as quais há excepcões que a confirmam), com as tendências do Cinema Novo que nos anos 60 fugia à narrativa vigente, a influência da revolução nos 70, a vontade das longas metragens em 80 e até o popular dos anos 40. A Lisboa e o Fado como cenário para um desenrolar de preocupações simples, quando a Europa se guerreava e Portugal era um jardim onde se via futebol e se namorava nas ruas.
Levado pela boa impressão que me deixou o ‘Gaiola Dourada’, vi o novo filme de Rúben Alves sobre o Santo António e os casamentos de Lisboa patrocinados pela câmara municipal. A diferença não podia ser maior. Se ‘Gaiola Dourada’ era nostálgico, mas divertido, este é desanimador........
