O equívoco do elitismo cultural nacional
Num país onde o território é frequentemente tratado como cenário e não como projeto, continuamos a confundir marca territorial com marketing. Reduzimos paisagens a slogans, património a fundos europeus e cultura a eventos episódicos. No entanto, uma marca territorial séria não se constrói com campanhas, constrói-se com visão, com escolhas políticas e com a coragem de assumir que valorizar implica, inevitavelmente, diferenciar.
Portugal vive preso a um paradoxo curioso: quer afirmar-se internacionalmente pela autenticidade dos seus territórios, mas hesita em reconhecer que essa autenticidade exige critérios, curadoria e, sim, alguma forma de exigência cultural. O recente debate sobre o “medo português do elitismo cultural”, trazido por Diogo Montes, expõe uma tensão profunda na nossa relação com a cultura: queremos que seja acessível, mas........
