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A dor que o sistema ainda não aprendeu a tratar

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03.06.2026

A dor na esclerose múltipla não é apenas um sintoma. É uma presença constante, silenciosa e muitas vezes invisível. Não se vê nos exames, não se mede com facilidade, não se explica em poucas palavras. Mas vive-se — todos os dias — no corpo, na mente e na forma como cada pessoa tenta continuar a sua vida.

Em Portugal, centenas de pessoas com esclerose múltipla participaram recentemente num estudo europeu sobre o impacto dos sintomas. Intitula-se “Impacto dos Sintomas da Esclerose Múltipla (IMSS, sigla em inglês)”, é uma iniciativa pan-europeia promovida pela Plataforma Europeia de Esclerose Múltipa em colaboração com 24 associações de doentes, de 22 países. Os resultados confirmam aquilo que quem vive com a doença já sabe há muito: a dor está entre os sintomas mais prevalentes e mais perturbadores. Surge ao lado da fadiga, das alterações motoras e cognitivas, e raramente aparece sozinha. Em média, cada pessoa vive com mais de uma dezena de sintomas em simultâneo.

Mas há uma outra dimensão da dor que raramente entra nas estatísticas. A dor de não ser compreendido. A dor de esperar. A dor de ter de explicar,........

© Observador