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Do efeito do degelo nas calotas do terraplanista

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02.07.2026

Na esplanada da Rita, sobranceira ao promontório por onde desliza a amada Zambujeira do Mar, o cronista dava uma folga ao pessimismo… Nem abandono, nem sobrelotação; mesmo correndo o risco de ofender alguns saudosistas, não havia sinais de sobreexploração nem nos inquietava a mercantilização daquela aldeia, quase desconhecida do seu próprio país até à invenção do Sudoeste e, com ele, do festival de Verão moderno. Calçada impecavelmente arranjada, árvores novas, bem plantadas em caldeiras amplas, iluminação pública renovada, tal como toda a sinalética e equipamento urbano. Esplanadas organizadas e coerentes de acordo com um só modelo, contemporâneo, mas razoavelmente dialogante com a paisagem. A praia, lá em baixo, com as velhas ondas desfazendo-se a ritmo regular sobre o areal raso e prolongado, produzindo aquele sempiterno som, dia e noite, de uma espécie de câmara de mar. Um dia de princípio de Verão, agradavelmente ameno, num intervalo entre ondas de calor, com uma travessa de amêijoas, pão alentejano e, à frente, uma imigrante Corona com a lima de lei. Sim, de vez em quando, disse o escriba para com os botões da camisa florida, esta brincadeira do mundo e tal, até que funciona.

E é então que, da mesa de trás, onde até ali três pessoas se limitavam a existir diante umas das outras, uma diz: “Pfff… Alterações climáticas… É que já nem dizem ‘aquecimento global’! Como as calotas polares não derreteram, as ilhas não ficaram todas........

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