Da oscilação do preço do extremista
Na terceira década do século XXI, a ideologia cabe num depósito de combustível. De esquerda ou direita, anda na mesma, como quem usa 95 ou aditivada, normal ou low-cost. Na Alemanha, a esquerda radical ganha em Berlim enquanto a direita vai limpando os pequenos estados da antiga RDA. Deveríamos estar à beira da guerra civil, ou, pelo menos, dum confronto fratricida entre extremos a nível nacional; mas, na prática, o que temos são dois partidos anti-NATO, anti-Euro, pró-Rússia, pelo fim da ajuda à Ucrânia, dos rigores da transição energética e a favor de que o Estado concentre esforços mas é em aumentar-lhes os ordenados e as pensões. Extremos? Se o merchandising não os distinguir muito bem, arriscamo-nos a sair para o comício de um extremo e acabar a agitar bandeirinhas no do outro.
A cada eleição no mundo ocidental, local ou nacional, vamos observando a conclusão aparentemente óbvia de os radicais estarem inexoravelmente mais perto do poder. E eles comportam-se em conformidade. Fazem voz grossa, agitam, cada vez menos dissimuladamente, uns símbolos do passado, falam em deitar abaixo o “sistema” e construir uma nova ordem. Mas é curioso porque, se nos aproximarmos, é difícil distinguir onde estão ao certo. Em que se........
